quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Coisas típicas da Política... as afirmações são placebos na boca de políticos. Veja o exemplo de José Dirceu

Publicado no Globo
Admita-se que no presidencialismo brasileiro, em que o poder da caneta do chefe do Executivo é imenso, proporcional à capacidade que tem o Estado de favorecer empresas bem relacionadas em Brasília, Lula não tenha sido o primeiro a passar pelo Planalto em meio a nuvens de suspeição.
01/10/2015
 às 2:40 \ Direto ao Ponto

José Dirceu endossa o impeachment: ‘Qualquer deputado pode pedir à Câmara a abertura de processo contra o presidente. Dizer que isso é golpe é falta de assunto’

ATUALIZADO ÀS 02h40
José Dirceu, em nome do PT e de aliados, entrega a Michel Temer, então presidente da Câmara, o pedido de impeachment contra Fernando Henrique Cardoso
25 de agosto de 1999: ao lado de Lula e Miguel Arraes, com o apoio do papagaio-de-pirata Agnelo Queiroz, da esforçada coajuvante Marina Silva (no canto esquerdo) e de vários figurantes, o deputado José Dirceu entrega ao presidente da Câmara, Michel Temer, o documento que propõe o impeachment de FHC
Presidente do PT, José Dirceu caprichou na pose de defensor da pátria em perigo ao tentar justificar o que acabara de fazer naquele 25 de agosto de 1999. “Qualquer deputado pode pedir à Mesa a abertura de processo de impeachment contra o presidente da República”, declamou depois de entregar ao presidente da Câmara, Michel Temer, o documento que propunha o afastamento de Fernando Henrique Cardoso, reeleito dez meses antes. “Dizer que isso é golpe é falta de assunto”.
Se os celebrantes de missa negra acreditassem nos sermões que Lula lhes sopra, o PT de 2015 teria a obrigação de enxergar no PT de 1999 um bando de golpistas a serviço do capitalismo selvagem — e o PT do século 20 teria o dever de achar que o PT do século 21 sofre de falta de assunto. Mas vigaristas sem cura não perdem tempo com o que disseram, dizem ou dirão.
No vídeo abaixo, uma amostra da reação indignada de Dirceu ao arquivamento do pedido de impeachment, o comandante da tropa petista no Congresso afirma que FHC descumpriu promessas de campanhas, favoreceu esquemas corruptos, conduziu a economia a um beco sem saída e fez concessões absurdas ao PMDB, fora o resto. Quem ouve o samba do mineiro doido deduz que, em 1999, FHC era uma Dilma Rousseff em miniatura, com terno, gravata e cérebro.
Com a expressão colérica recomendada a quem repetia de meia em meia hora que o PT “não róba nem dexa robá”, o orador trata com igual ferocidade a gramática e o chefe de governo que considera incapaz de governar. A perda do cargo seria um castigo até brando para FHC, brada o pregador de cabaré. (Por tais critérios, que punição mereceria Dilma Rousseff além do impeachment? Duzentas chibatadas? A guilhotina?)
Passados 16 anos, o moralista amoral curte a segunda temporada na cadeia. Descobriu-se que o guerreiro do povo era o disfarce do corrupto onipresente. A herança bendita de FHC está em frangalhos. Por tudo isso e muito mais, o vídeo virou uma perturbadora relíquia histórica. É outra prova de que, durante longos anos, os bandidos do faroeste à brasileira assumiram o controle do lugar e fizeram o diabo sob os aplausos do rebanho na plateia.
Pena que o reincidente engaiolado não tenha tempo nem ânimo para comentar o que andou fazendo em 1999. Absorvido por uma guerra particular, o guerrilheiro de festim agora luta para safar-se da cadeia. Abre o bico apenas para conversar com vizinhos de cela ou com o advogado. E só pensa no impeachment do juiz Sérgio Moro.
30/09/2015
 às 19:14 \ Opinião

Editorial do Estadão: As estatais sob o jugo do PT

A “defesa” das estatais sempre esteve no discurso petista. Era um ponto inegociável, isto é, sem qualquer possibilidade de diálogo. Basta recordar como o PT pôs sua tropa de choque na rua para tentar inviabilizar as privatizações do governo FHC. Felizmente, a intolerância petista não foi capaz de impedir as privatizações dos anos 90 e a população pôde ter acesso, por exemplo, a serviços de telecomunicações de melhor qualidade — ao menos, já não é preciso pagar ágio para ter uma linha telefônica.