Aeroporto de Campos melhora posição no ranking Infraero.
Com o aumento no movimento, o Aeroporto Bartolomeu Lisandro melhorou sua posição em relação ao demais aeroportos da rede Infraero. A estatal administra 66 aeroportos no país. Veja abaixo a posição de Campos no período de janeiro a agosto deste ano:
Em Aeronaves
49° com 6.794 vôos.
Em Passageiros
55° com 37.465 passageiros.
Ainda são números tímidos em relação ao tamanho e importância da cidade e região, porém, o crescimento na movimentação é uma das maiores entre os aeroportos brasileiros e vemos que a movimentação continuará a aumentar muito nos próximos anos, com a chegada de novas empresas para a região. Em outros anos, o aeroporto de Campos figurava entre os menos movimentados.
Brasil registra avanços no combate à fome, aponta relatório da ONU
País conseguiu reduzir número de pessoas que passam fome ou sofrem de desnutrição de 14,9%, no período de 1990 a 1992, para 6,9%, entre 2010 e 2012
Agência Brasil| - Atualizada às
Os números de pessoas que passam fome ou sofrem de desnutrição no Brasil, em Angola (África) e em Moçambique (África), países de língua portuguesa, caíram no período de 1990 a 2012. A conclusão está no relatório Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012 da Organização de Alimentação e Agricultura da ONU (FAO), divulgado nesta terça-feira, em Roma, na Itália.
Pelos dados do relatório, o Brasil conseguiu reduzir de 14,9%, no período de 1990 a 1992, para 6,9%, nos anos de 2010 a 2012, o percentual de subnutridos. No país, cerca de 13 milhões de pessoas passam fome ou sofrem com desnutrição. Os programas sociais desenvolvidos pelo governo brasileiro em parceria com os governos estaduais e municipais, além da iniciativa privada, foram elogiados no documento.
O Programa Bolsa Família é uma referência, segundo o relatório. Para os especialistas, o Bolsa Família é um instrumento positivo para promover a capacitação econômica das comunidades. Há elogios também ao sistema adotado pela prefeitura de Belo Horizonte (Minas Gerais) de combate à fome na periferia da cidade.
Em Angola, houve registros de melhora. Os percentuais caíram de 63,9%, de 1990 a 1992, para 27,4%, de 2010 a 2012. Cerca de 5 milhões de pessoas são consideradas subnutridas ou passam fome no país. Mas em Moçambique os resultados são considerados pouco positivos, pois a queda foi menor – de 57,1%, de 1990 a 1992, para 39,2%, de 2010 a 2012.
No período de 1990 a 2012, África é o único continente que registrou aumento no número de pessoas que passam fome ou sofrem com a desnutrição. O relatório diz que há aproximadamente 239 milhões lá. A América Latina e o Caribe registraram progressos, reduzindo o número de pessoas com fome de 65 milhões para 49 milhões, no período de 1990 a 2012.
Para receber as notícias de iG Brasil envie igbrasil para 49810 . 10 dias sem custos ** Após este período, custo de R$ 0,31 + imp. por mensagem recebida.
Uma em cada oito pessoas passa fome no mundo, diz ONU
Segundo relatório da Organização das Nações Unidas, 868 milhões (cerca de 12,5% da população global) passaram fome entre 2010 e 2012
iG São Paulo| - Atualizada às
Uma em cada oito pessoas no mundo está cronicamente desnutrida, disseram as agências alimentares da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, alertando que o progresso na redução da fome desacelerou desde 2007/2008, quando uma alta nos preços gerou protestos em vários países pobres.
Em seu novo relatório sobre segurança alimentar, as agências da ONU estimaram que 868 milhões de pessoas (cerca de 12,5% da população) passaram fome entre 2010 e 2012. Isso é bem menos do que a estimativa anterior, de 1 bilhão de pessoas (18,6%) no período 1990-1992.
Crianças recebem almoço grátis em escola de Jammu, na Índia
"Essa é uma notícia melhor do que tivemos no passado, mas ainda significa que uma pessoa a cada oito passa fome. Isso é inaceitável, especialmente quando vivemos em um mundo de abundância", disse o brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização de Alimentação e Agricultura da ONU (FAO).
"A maior parte do progresso na redução da fome foi feita até 2006, já que os preços alimentícios continuavam caindo. Com a alta nos preços alimentícios e a crise econômica que se seguiu, houve muito menos avanços", alertou.
Os preços dos alimentos têm tido alta nos últimos meses, em consequência da seca nos EUA, Rússia e outros grandes exportadores. A FAO prevê que os preços permaneçam próximos do que foi registrado durante a crise de 2008.
Mas Graziano disse que o mundo ainda pode alcançar a Meta de Desenvolvimento do Milênio, estabelecida em 2000, que prevê reduzir à metade a desnutrição nos países em desenvolvimento até 2015. Para isso, no entanto, serão necessários esforços para reverter a desaceleração no progresso.
Uma ampla recuperação econômica, especialmente no setor agrícola, será crucial para uma continuada redução da fome, segundo o relatório da FAO, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.
"O crescimento agrícola envolvendo pequenos proprietários rurais, especialmente mulheres, será mais eficaz na redução da pobreza extrema e da fome quando gerar emprego para os pobres", disseram as organizações.
O relatório criticou o aumento da demanda por biocombustíveis (que tomam espaço de cultivos alimentícios), a especulação financeira nos mercados de alimentos e os gargalos na oferta e distribuição de alimentos, levando ao desperdício de quase um terço da produção.
Nas últimas duas décadas, a fome caiu quase 30% na Ásia e no Pacífico, graças a avanços sócio-econômicos. A África foi a única região onde o número de famintos cresceu no período, de 175 milhões em 1990-1992 para 239 milhões em 2010-2012.
Analistas da FAO e do Programa Mundial de Alimentos disseram que as novas cifras refletem ajuste no tamanho da população e na altura média das pessoas, além de levarem em conta uma avaliação mais detalhada da disponibilidade alimentar e dos desperdícios na cadeia de distribuição.
Para receber as notícias de iG Mundo envie igmundo para 49810 . 10 dias sem custos ** Após este período, custo de R$ 0,31 + imp. por mensagem recebida.
Vídeo: 25 carros batem em acidente impressionante na Nascar
Batida, que aconteceu na última volta da etapa de Talladega, não deixou ninguém ferido. Matt Kenseth conseguiu escapar do choque e terminou a prova na frente
iG São Paulo| - Atualizada às
Leia também:
Um acidente impressionante marcou a etapa de Talladega da Nascar no último domingo (7). O choque aconteceu na última volta da etapa da Sprint Cup, principal divisão da categoria norte-americana, e envolveu 25 carros, de acordo com a Nascar.
O piloto Tony Stewart, que liderava a prova, recebeu um toque pouco antes de completar a prova e rodou, acertando assim os outros carros que vinham pela parte de fora da pista. O carro do piloto Matt Kenseth não se envolveu na confusão e terminou a prova na frente, com Jeff Gordon e Kyle Busch, que também escaparam do choque, logo atrás. Apesar do susto, nenhum dos pilotos envolvidos no acidente se feriu. Confira o vídeo abaixo:
Getty Images
Kenseth (carro rosa, número 17) não se envolve em acidente e vence a prova
Para receber as notícias de Esportes envie igesportes para 49810 . 10 dias sem custos ** Após este período, custo de R$ 0,31 + imp. por mensagem recebida.
A Apple pode começar a vender o iPad de 7,85 polegadas, conhecido como iPad mini, já na próxima semana
São Paulo — A Apple encomendou 10 milhões de unidades do iPad mini a seus fornecedores para entrega neste trimestre, diz o Wall Street Journal. É um número elevado que indica que, se a empresa não tem sido muito inovadora ultimamente, pelo menos está mais agressiva do que nunca no aspecto comercial.
A ilustração do artista holandês Martin Hajek mostra a provável aparência do iPad mini
O jornal americano diz ter recebido a informação de pessoas ligadas a empresas de Taiwan e de outros lugares na Ásia. Elas seriam fornecedoras de componentes para o novo iPad. O número citado pelo jornal, 10 milhões de unidades, é o dobro da quantidade de Kindle Fire que a Amazon teria encomendado para este último trimestre do ano.
Se os rumores estiverem certos, a Apple vai enviar nesta semana, à imprensa americana, o convite para o evento de lançamento do iPad mini. A apresentação deve acontecer no dia 17, a quarta-feira da próxima semana. E há até boatos de que o novo tablet já estaria sendo fabricado no Brasil. Se isso for verdade, ele pode chegar rapidamente às lojas brasileiras.
No passado, o próprio Steve Jobs já desqualificou os tablets com tela de 7 polegadas, como o Galaxy Tab original, da Samsung. Mas o sucesso de modelos mais recentes, como o Kindle Fire, da Amazon, e o Nexus 7, do Google, parece ter feito a turma da maçã mudar de ideia.
No Brasil, segundo a IDC, metade dos tablets vendidos têm tela de 7 polegadas, o tamanho mais comum no país. A razão mais óbvia para isso é que esses modelos são mais baratos que aqueles que têm tela de 10 polegadas.
Com a força da marca Apple, o iPad mini pode ter sucesso arrasador, como parece prever a empresa. Mas, para isso, é preciso que ele não custe mais de 300 dólares nos Estados Unidos e 1.200 reais no Brasil. Há boas chances de que esses sejam os preços do modelo mais simples do mini, ou seja, sem 3G e com a menor capacidade de memória.
A Apple vendeu 11 milhões de unidades do iPad no primeiro trimestre do ano, e 17 milhões no segundo. A entrada do iPad mini na conta deve elevar o total de unidades. Mas é possível que ela provoque uma redução nas vendas do novo iPad, que é, supõe-se, mais lucrativo para a Apple.
Mila Kunis é a mulher mais sexy do mundo segundo revista 'Esquire'
por EFE
Divulgação
A atriz Mila Kunis foi eleita a mulher mais sexy de 2012 pela edição americana da revista Esquire, que publicou em sua edição de novembro uma classificação na qual também aparecem atrizes como Kristen Stewart e Katie Holmes.
Após aparecer em filmes comoCisne Negro e Amizade Colorida, uma comédia romântica junto com o cantor Justin Timberlake, a atriz está na capa da revista americana, na qual aparece usando apenas calças pretas e cobrindo o tronco com os braços.
Mais conhecida por sua relação com o ator Ashton Kutchner, a atriz desbancou outras companheiras de profissão como Katie Holmes, Charlize Theron e Anne Hathaway, que este ano interpretou a personagem Mulher Gato.
A revista americana também incluiu na lista outras duas mulheres que não costumam estar presentes nos rankings da beleza: as atrizes Sissy Spacek, de 63 anos, e Gabourey Sidibe, conhecida por seu papel em Preciosa - Uma História de Esperanç
Nildo, Albertinho, Diniz, Ozéias, Magal e Miguelito venceram nas Zonas
Arte Ururau
Foram seis líderes de votação nas sete Zonas Eleitorais de Campos
No domingo foram eleitos 25 vereadores para assumir a Câmara Municipal de Campos a partir de 1° de janeiro de 2013. Seis vereadores que disputaram a reeleição ficaram de fora (Nelson Nahim (PPL), Kellinho (PR), Papinha (PP), Altamir (PSB), Dr. Dante (PSC) e Odisséia (PT).
Além de Ilsan Vianna (PDT), Marcos Bacellar (PDT), Jorginho Pé no Chão (PTdoB), Vieira Reis (PRB) e Rogério Matoso (PPS) não disputaram as vagas.
O site Ururau mostra a votação em cada uma das sete Zonas Eleritorais, onde em cada uma delas teve um vencedor, na 75ª (Nildo Cardoso); na 76ª (Albertinho); nas 98ª e 99ª (Rafael Diniz): na 100ª (Ozéias); na 129ª (Magal) e na 249ª (Miguelito).
Joaquim Barbosa é aplaudido por eleitores durante votação no Rio
Relator do processo do mensalão disse não acreditar que julgamento influencie eleições
O ministro Joaquim Barbosa, tira foto com eleitora ao chegar para votar no Clube Monte Libano na zona sul do Rio de Janeiro ( Wilton Junior/AE)
O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, recebeu cumprimentos calorosos de eleitores ao votar neste domingo no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. O ministro deu autógrafos e posou para fotos na chegada e na saída.
Barbosa disse não acreditar que o julgamento do mensalão tenha influência no voto dos eleitores nesta disputa. "É uma eleição local. As pessoas estão preocupadas com questões locais", afirmou.
Barbosa ainda indicou não simpatizar com os partidos de oposição no Rio de Janeiro, ao revelar que nas eleições de 2008 não votou no candidato do PV, Fernando Gabeira, em quem já tinha votado outras vezes, segundo ele. "Não gostei da aliança", justificou o ministro. Gabeira concorreu por uma coligação com o PSDB, DEM e PPS e perdeu no segundo turno para o prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), que tenta a reeleição neste ano. Joaquim Barbosa, no entanto, não quis revelar em quem votou naquela ocasião e também não revelou em quem votou hoje.
O ministro disse que "é sempre boa" a realização de segundo turno das eleições, mas evitou palpitar em que cidades isso deve ocorrer.
André Caramante, um dos mais respeitados jornalistas brasileiros na área da segurança pública, foi obrigado a mudar de país e esconder-se. Em entrevista, ele conta o que a situação de exceção vivida por ele e por sua família revela sobre a intrincada relação entre poder e violência
ELIANE BRUM
Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família.
O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo”.
Os 13 anos em que André Caramante cobre a área de segurança pública são marcados pela denúncia séria, resultado de apuração rigorosa, dos abusos cometidos por parte da polícia no estado de São Paulo. A relevância do seu trabalho foi reconhecida duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais. Mantém sua própria planilha na qual registra os mortos pela polícia. E faz a denúncia sistemática da figura amplamente difundida da “resistência à prisão” como justificativa para execução, em geral dos suspeitos mais pobres. Por sua competência, Caramante ganhou o respeito da sociedade interessada em uma polícia eficiente, com atuação pautada pelo cumprimento da lei – e o ódio de uma minoria truculenta, os maus policiais, tanto militares quanto civis, e daqueles cujos interesses e projeto de poder estão ligados a eles.
Antes de ser jornalista, Caramante quis ser jogador de futebol. Morador da periferia de São Paulo, comprou a primeira chuteira vendendo papelão. Era “um meia-direita dedicado”, na sua própria avaliação, e usou a chuteira com brio nas peladas de várzea e nas peneiras na Portuguesa, no Novorizontino e no Palmeiras, clubes nos quais chegou a treinar nas categorias de base. A necessidade de ajudar com as despesas da casa o despachou para a arquibancada. Em especial a da Vila Belmiro, por um amor incondicional pelo Santos herdado do pai.
Aos 11 anos, Caramante começou a trabalhar como camelô, vendendo chocolates e sacolas no Brás, em São Paulo. Mais tarde, aos 17, o estudante de escola pública pagou a faculdade de jornalismo da Uniban com o salário de office-boy e com os vales-transporte que economizava fazendo o serviço a pé. “Não sabia se a faculdade era boa ou ruim, não entendia dessas coisas, apenas sabia o que queria fazer”, conta. “O livro Rota 66, de Caco Barcellos, tinha me mostrado o que era jornalismo.”
Em seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record), Caco Barcellos, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, hoje na TV Globo, investigou o trabalho da Rota entre as décadas de 1970 e 1990. E provou que ela atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. Duas décadas depois do lançamento do livro que o inspirou, Caramante vive uma situação semelhante.
A notícia de que ele estava vivendo escondido, com a família, vazou na semana passada, em matéria da Revista Imprensa. Até então, Caramante pretendia manter o fato em sigilo. A decisão de esconder-se com a família foi difícil para o repórter que nunca quis virar notícia – e que sempre evitou ser fotografado. Enquanto era alvo único das ameaças de morte, Caramante manteve uma rotina normal. O jornalista só aceitou se mudar para um destino secreto quando sua família passou a ser ameaçada. Mesmo assim, para ele é ponto de honra seguir com seu trabalho de reportagem. Pela internet, envia informações ao jornal com frequência. E segue assinando matérias na área da segurança pública.
Quando um repórter é obrigado a mudar de país e se esconder com a família por fazer bem o seu trabalho e prestar um serviço à população, ao fiscalizar os órgãos de segurança pública, este não é um problema só dele – mas da imprensa, que tem o dever de informar, e da sociedade, que tem o direito de ser informada. É disso que se trata.
Na entrevista a seguir, feita por email entre sexta-feira e domingo, André Caramante, 34 anos, fala sobre a situação de exceção que ele e sua família estão vivendo, mas principalmente sobre as complexas relaçõesentre violência e poder que a tornaram possível.
Você já viu esta cena. Todos na sala ou no restaurante esquecem um nome de filme ou escritor, alguém quer checar uma notícia, uma data... e o tablet ou o iPhone salvador é acionado. Pergunte ao Google. E lá está a informação que colore o branco da memória. Em termos. O que você lê na internet pode estar errado ou ser uma mentira deliberada. Com a ajuda da credulidade humana, histórias inventadas se propagam. Algumas são plausíveis, baseadas em dramas reais.
O professor de geografia, radialista e humorista Fábio Flores, capixaba de 39 anos, é um criador de notícias falsas ou, na definição dele, “fantasiosas”. A repercussão nacional e internacional de suas histórias é tão ampla que Fábio pensa em transformar sua experiência numa tese de mestrado sobre o “jornalismo mentira”. Ele publica casos com nome, sobrenome, idade, profissão, detalhes como “o quê, quando, como e por quê” em blogs e sites que fazem referência a seu humor no rodapé.
Os casos de Fábio são um 1o de abril eterno. Ganham legitimidade com a palavra de especialistas, debates em televisão e em universidades, projetos de lei, aulas de Direito e reportagens na mídia impressa e virtual no Brasil, Espanha, Itália, França e Estados Unidos. Ele nunca reclama a autoria. Não quer deter o curso de sua ficção. Seu interesse é outro: analisar até onde voam seus personagens – algo que ele chama de “capilaridade”. Os assuntos com “maior capilaridade na rede”, segundo ele, são, pela ordem, “sexo, leis e religião”. Se der para misturar tudo numa só história que desafie tabus e preconceitos, mais sucesso ela terá no mundo real. No Facebook e no Twitter, dezenas de milhares curtem, comentam e discutem como se fosse tudo verdade.
Qualquer um pode inventar uma notícia na rede. Quando a versão mais picante prevalece, a vítima é a verdade
Há duas semanas, esta coluna se referiu a uma briga no Facebook entre a publicitária Mara Rocha e seu ex-marido Carlos Cavalcanti. A “briga” fora noticiada por um jornal nacional respeitado, dois sites jurídicos e confirmada a mim por uma advogada, com base em dez fontes, entre jornais impressos, sites e fóruns de Direito. Mara e Carlos não existiam. Eram um casal criado por Fábio, inspirado em brigas verídicas no Facebook. Descobri a fonte no Twitter. Fábio comemora sempre que uma história sua, inspirada na vida como ela é, sobe ao pódio da legitimidade. Na opinião dele, a mídia mais nobre é a impressa. Eu o entrevistei ao telefone. Ele disse que as redes sociais são um campo fértil para propagar invenções que afetem o cotidiano das pessoas. Verdade.
“Não há ofensa nem reclamação contra as minhas histórias, porque os personagens não existem”, diz Fábio. Entre seus casos de maior repercussão está “a mulher que exigiu na Justiça o direito de se masturbar no trabalho”. Essa ganhou fama internacional, porque o drama dos sexólatras, os viciados em sexo, é atual e sério. O “padre que se recusou a casar uma noiva sem calcinha” virou projeto de lei de um vereador de Vila Velha, Espírito Santo, e tema de programa de TV, que entrevistou um padre verdadeiro. O “sêmen que clareia os dentes” foi parar no site de um dentista. A “advogada que pediu indenização na Justiça por casar com um homem de pênis pequeno” foi capa de jornal e ganhou conteúdo científico sobre “insuficiência peniana”. O “homem de 36 anos que se separou da mulher, em Roraima, para casar com o cunhado e pastor de 28 anos” causou furor entre internautas e apareceu em jornais do Norte.
A mentira não é privilégio dos tempos de internet. Mas a democratização do debate em sites e blogs facilita equívocos e maledicências. E é responsável por absurdos. No início de setembro, o escritor Philip Roth escreveu uma carta aberta à Wikipédia, reclamando de um verbete errado sobre seu romance A marca humana (The human stain). A Wikipédia se recusou a reparar o erro, afirmando precisar de “fontes secundárias”. O autor do livro não era suficiente. Roth descobriu que não era mais crível que algum crítico literário fofoqueiro. É assustadora a fé com que jovens e adultos consultam hoje a Wikipédia, brandindo os verbetes como se fossem verdades absolutas. Citações atribuídas a autores errados são compartilhadas febrilmente.
As fronteiras entre a verdade e a ilusão, entre o fato e a versão são parte da história da humanidade e já fizeram muitas vítimas. Assim é se lhe parece, uma das obras-primas do Nobel de Literatura Luigi Pirandello (1867-1936), trata da construção imaginária e cruel de uma personagem que jamais aparece numa cidade italiana. Quando a fofoca é persistente e a versão é mais picante que o fato, a maior prejudicada é a verdade. Hoje, qualquer um tem o poder de criar um perfil falso no Facebook ou inventar uma notícia. É preciso desconfiar mais que antes. Nós, jornalistas, mais que todos. Uma lição que se aprende...