G1 - Chega ao Rio artilharia antimíssil para Copa das Confederações
Rio de Janeiro
Chega ao Rio artilharia antimíssil para Copa das
Confederações
Veículos recauchutados farão a segurança na
abertura e na final do evento. Sistema custou R$ 78 milhões, e Brasil comprou
também 600 mil munições.17/05/2013 13h57 - Atualizado em
17/05/2013 17h14
Por Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo
Chegaram ao Brasil nesta quinta-feira (16) oito carros do tipo Gepard
que integram o sistema de artilharia antiaérea alemão comprado pelo Brasil para
a segurança da abertura e do encerramento da Copa das Confederações, nos dia 15
e 30 de junho, respectivamente.
Os veículos são capazes de abater mísseis, aviões, helicópteros ou drones
(aviões não tripulados) suspeitos a até 15 km de distância, com alcance de 3 km
de altitude.
Segundo o general Marcio Roland Heise, coordenador do projeto de compra das armas,
os canhões ainda estão em processo de desembaraço alfandegário junto à Receita
Federal. Assim que liberados, os veículos serão levados ao Parque Regional de
Manutenção do Exército, no Rio de Janeiro. A previsão é que isso ocorra na
terça-feira (21).
O Brasil comprou 34 carros de combate Gepard ao preço de 30 milhões de
euros (cerca de R$ 78,4 milhões).
Os blindados foram despachados de navio da Alemanha, em caráter emergencial,
para que chegassem a tempo da abertura da Copa das Confederações, que acontece
em Brasília, no dia 15 de junho, com a partida entre Brasil e Japão.
Quatro carros serão levados para Brasília e os outros quatro ficarão no
Rio de Janeiro, para a partida de encerramento da competição, no dia 30 de
junho. Os veículos não ficarão à vista do público, mas estarão posicionados
perto dos estádios, em pontos estratégicos.
Além do sistema antiaéreo, o Brasil comprou cerca de 600 mil munições
para os Gepard e três carros reservas, que serão desmontados e servirão para
peças de reposição. O valor inicial do contrato não inclui esse complemento nem
treinamentos e suporte técnico.
"As armas serão recebidas e incorporadas ao inventário do Exército.
Além disso, faremos testes de tiro com cada um deles, para verificar o
funcionamento", afirmou o general Marcio Roland Heise ao G1 .
Os blindados Gepard 1A2 pesam 47,5 toneladas, têm 3,7 metros de altura,
3,4 de largura e até 7,7 metros de comprimento. São equipados com dois canhões
Oerlikon de 35 mm, que trabalham em conjunto um sistema de radares com campo de
visão de até 15 km de raio. A fabricante informa que eles atingem alvos até 5,5
km de altura, mas, no Brasil, serão usados a baixa altitude (até 3 km).
Visita do Papa
A previsão inicial do general Marcio era que os carros sejam usados na Jornada
Mundial da Juventude, que deve reunir mais de 2 milhões de pessoas no Rio em
julho durante a visita do Papa Francisco ao país.
Mas, segundo o general Guido Amin Naves, comandante da Brigada de Artilharia
Antiaérea, ainda não foi decidido se o material será empregado ou não. O evento
em que o sistema antiaéreo pode ser usado é a missa de encerramento, em
Guaratiba, no Rio, em 28 de julho.
"Assim que os carros estiverem operando, faremos um treinamento
inicial. Os blindados que já estarão no Rio para a final da Copa das
Confederações poderão ser empregados para a visita do Papa, mas isso ainda está
em fase de definição. Ainda não recebi nenhuma ordem de serviço sobre isso do
Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra)", afirma o general
Amim.
Usados e reformulados
A negociação entre os Exércitos do Brasil e da Alemanha ocorreu através da
empresa Krauss-Maffei Wegmann (KMW), fabricante dos veículos.
"Os carros foram reformulados, receberam novo sistema de radares e
computadores, canhões de 35 mm e tecnologia de guiamento, que seguem o alvo
mesmo se ele desviar. O Exército alemão iria usar os blindados, mas a Otan
[Organização do Tratado do Atlântico Norte] mudou algumas diretrizes em relação
à defesa antiaérea e eles tiveram que deixá-los de lado", afirmou o
general Marcio Roland Heise.
A implantação do Gepard pelo Exército busca suprir uma carência de
proteção para as duas brigadas do país que abrigam blindados, localizadas em
Ponta Grossa (PR) e em Santa Maria (RS), e também de garantir a segurança de
estruturas estratégicas, como usinas hidrelétricas, essenciais para o caso de
uma eventual guerra.