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Endeusar políticos é sintoma de transtorno mental

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"Big Brother Brasília" //João Pereira Coutinho

terça-feira, fevereiro 27, 2018 Big Brother Brasília JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 27/02 Qualquer forma de política 'carismática' é um perigo brutal para a sobrevivência das democracias liberais Luciano Huck para presidente? Ele diz que não. Acredito. Mas, se a decisão fosse outra, o Brasil estaria na vanguarda das democracias ocidentais —e Fernando Henrique Cardoso percebeu isso. Anos atrás, na revista "Foreign Policy", FHC publicou um bom artigo sobre o futuro dos partidos políticos. "Futuro", vírgula: FHC não acreditava que houvesse futuro para os partidos. As tradicionais divisões ideológicas entre esquerda e direita já não tinham o mesmo significado —e a mesma militância. E, além disso, a desilusão do eleitorado com o "establishment" faria emergir movimentos, grupos, "populistas" (termo meu, não de FHC) capazes de rivalizar com as estruturas decrépitas e assaz rígidas dos partidos. Fernando Henrique foi um vis...

"A internet e as redes sociais estão supervalorizadas e esmagam a 'soberania do ser" / João Pereira Coutinho

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Esquerda e direita estão contaminadas pelo vírus do pensamento de grupo  JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 23/01 Houve um tempo em que também eu debatia política em público. Relembro: um estúdio de TV, alguém de esquerda do outro lado da mesa. O pivô lançava o tema. A pessoa de esquerda corria atrás do osso como um mastim esfomeado. Quando eu falava, havia um terrível anticlímax. De vez em quando, esforçava-me: dizia algo "de direita", só para não ser despedido na hora. Mas grande parte do tempo ficava contemplando o outro, admirando a sua vitalidade ideológica e o interesse que ele tinha por, sei lá, a política de saneamento básico. Várias vezes fitava o meu "adversário" (não ria, por favor) e tentava ver se tinha as pupilas dilatadas. "Talvez sejam drogas", pensava, confrontado com aquelas cataratas (verbais). Não eram. Era entusiasmo. Atenção, atenção: não falo de "entusiasmo" no sentido prosaico da palavra. Um ser humano sem ...

Sobre feminismo, sobre homens, etc /

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Feminismo de hoje é tão reacionário quanto o  machismo neandertal   JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 02/01 Passei as festividades natalinas lendo Camille Paglia. Não sei se é pecado. Talvez seja. Mas que alegria –e que prazer!– ler uma feminista com atividade cerebral completa, que não se limita a defender a dignidade das mulheres –mas a dos homens também. O título da sua coletânea de ensaios –"Free Women, Free Men: Sex, Gender, Feminism" (libertem mulheres, libertem homens: sexo, gênero e feminismo)– diz tudo: queremos uma sociedade de mulheres e homens livres –ou uma farsa infantil onde as mulheres são tratadas como espécies protegidas e os homens como selvagens inimputáveis? O feminismo de Paglia, que provoca horrores mil nas "neofeministas", pode parecer demasiado severo para a sensibilidade histérica dos nossos dias. Mas subscrevo esse feminismo, não apenas por razões intelectuais –mas pessoais. Cresci entre mulheres. Vivo entre elas. E quando r...

"Nossa sobrevivência depende das ficções que criamos sobre quem somos"

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joão pereira coutinho Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Nossa sobrevivência depende das ficções que criamos sobre quem somos 26/12/2017   02h01 Mais opções O ano termina e a imprensa faz os seus balanços:  filmes ,  livros ,  discos .  Peças de teatro . Peças de lingerie. É um simpático ritual. Não fujo à responsabilidade: o meu filme de 2017 foi filmado em 2014. Mas isso interessa? Não interessa. Quem perde tempo com pormenores cronológicos arrisca-se a ignorar "Força Maior", o inteligente e subversivo filme de Ruben Östlund que só agora assisti. Imagine a leitora que era casada com um homem rico, bonitão, atlético. Imagine a leitora que a família resolvia passar férias em resort de ski onde só os abastados podem entrar. Depois de tudo isso, imagine também –atenção: vem aí o "spoiler"– que presenciava uma avalanche de neve no elegante terraço do hotel. Ângelo Abu/Folh...

"Se a arte não desculpa o crime, o crime não inculpa a arte ..." / João Pereira Coutinho

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joão pereira coutinho Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Se a arte não desculpa o crime, o crime não inculpa a arte  Angelo Abu/Folhapress 14/11/2017   02h00 Mais opções Acabo de assistir ao último longa de Noah Baumbach,  "The Meyerowitz Stories (New and Selected)" , na Netflix. O filme vale pelo roteiro, pelos atores, pela inteligência diletante de Baumbach. Mas vale, sobretudo, pelo papel de Dustin Hoffman como o patriarca da família —Harold, um escultor egocêntrico, temperamental, pedante, arrogante, amoral (a lista não tem fim). Terminei o filme levitando —e depois, de regresso à realidade, descubro: duas atrizes  acusam Dustin Hoffman de assédio sexual . Pergunto: será que a conduta do cidadão Dustin afeta o gênio do ator Hoffman? A minha resposta é negativa —e concordo com  a posição de Hélio Schwartsman  nesta  Folha . "Pessoas ruins podem fazer coisas boas", esc...

"Liberdade de expressão também significa liberdade para ser imbecil" / João Pereira Coutnho

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joão pereira coutinho Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Liberdade de expressão também significa liberdade para ser imbecil Sakchai Lalit - 25.set.2001/Associated Press Homem tailandês vende camisetas com o rosto de Osama bin Laden, em 2001 10/11/2017   02h00 Compartilhar 229 Mais opções Usar uma camiseta de futebol com o nome "Bin Laden" gravado nas costas dá direito a prisão? Na França, dá. Leio no "The Daily Telegraph" que Chakib Limane, 34, foi condenado a seis meses de cadeia pela proeza. Nas palavras do próprio, ele usava a camiseta durante o jogging "só por brincadeira". Mas não foi o jogging o verdadeiro crime, o que seria compreensível. Foi, segundo o tribunal, a "apologia do terrorismo" que ele espalhava pelas ruas. Pior: o nosso Chakib não tinha apenas camisetas "Bin Laden". Também tinha vestuário com os nomes de Mullah Omar, o reputado líder T...

"Um país onde Alexandre Frota é modelo conservador merece estudo "

terça-feira, outubro 24, 2017 Um país onde Alexandre Frota é modelo conservador merece estudo  JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 24/10 É uma triste verdade: Henry David Thoreau (1817-1862) é cada vez mais o meu herói. A verdade é triste porque nunca fui um libertário. Mas o contexto determina o meu texto: como lidar com o fanatismo e a imbecilidade que esquerda e direita vomitam todos os dias? Pela fuga. Pelo isolamento. Pela vida no bosque, onde os animais são mais civilizados do que a espécie humana em geral. Nesta semana, em duas revistas diferentes ("The Economist" e "The Spectator"), contemplei o estado a que chegaram as universidades anglo-saxônicas, tomadas de assalto por meninos semiletrados que gostam de censurar as opiniões que consideram ofensivas. O problema é que essas crianças têm uma saúde mental assaz frágil. Resultado: tudo é ofensivo para elas. Até a chuva que cai, imagino eu. Um mundo de silêncio seria o ideal —o silêncio de um...

"Os indivíduos valem pelos seus atos, não pelas suas palavras""

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joão pereira coutinho Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas. Os indivíduos valem pelos seus atos, não pelas suas palavras Yann Coatsaliou - 23.mai.2017/AFP O produtor Harvey Weinstein no 70º Festival de Cannes, na França 13/10/2017   15h16 Compartilhar 436 Mais opções NOVA YORK - É um conselho elementar: os indivíduos valem pelos seus atos, não pelas suas palavras. Qualquer um é capaz de uma retórica competente. E seria possível escolher dois ou três discursos políticos de grandes criminosos da história –discursos sobre a liberdade, a igualdade, a fraternidade– sem revelar o essencial sobre as suas condutas miseráveis. Mas os atos, sobretudo quando praticados anonimamente, são a verdadeira revelação de caráter. Um caso exemplar é o de Harvey Weinstein . Cheguei a Nova York alguns dias atrás. Pensava eu que as notícias seriam Donald Trump de manhã à noite. Erro. Trump desapareceu dos radares e a mídia...