Tenho amigos que se omitiram em 2022 Percival Puggina Algumas pessoas que me leem e conversam comigo preferiram omitir-se nas eleições de outubro. Desde 2019, expressavam desgosto em relação ao presidente Bolsonaro. Ele não correspondia ao seu perfil de estadista conservador, ele procurava casca de banana para escorregar, ele se expressava de modo grosseiro e, muitas vezes era simplesmente grosso. Faltavam-lhe recursos oratórios e não tinha bom desempenho em debates e entrevistas. Tudo verdadeiro, mas, convenhamos, nas circunstâncias políticas nacionais, irrelevante. Nos primeiros dois anos do mandato presidencial, ou um pouco mais, essas pessoas buscavam “alguém” para substitui-lo em 2022, mas nunca foram além de Sérgio Moro, um nome racionalmente inviável para a corrida presidencial porque suscitava animosidade tanto pela direita quanto pela esquerda: condenara Lula e rompera com Bolsonaro. Quando Lula, ao cabo de uma ação entre amigos, foi realinhado no partidor da c...