"Minhas providências para meu dia final " ... / Valentina de Botas
Valentina de Botas: Ingmar Bergman e a minha cabeleireira Se eu puder fazer um último pedido como diz a tradição, pedirei que a coisa seja leve e que não desmanche meu penteado Por Augusto Nunes 25 nov 2017, 11h27 ingmar-bergman-the-seventh-seal-1 Mas não estamos agonizando desde que nascemos para viver nossas mil mortes? Abandonamos o que não somos, deixando para trás mais um eu que não vingou. Foi o que pensei quando me perguntaram se tenho medo da morte e o que faria se soubesse, hoje, que este é meu último dia de vida. Falar da morte é mórbido demais para meu gosto. O assunto não me atrai. Não penso nisso e a vida nunca me deixa sem assunto, embora me deixe sem palavras tantas vezes. A idade vem chegando e vemos nosso corpo nos abandonando; para algumas pessoas, a lucidez se depura, para outras, ela se extingue. Como Chico Anísio, não tenho medo, mas pena. Não é por nada, não aspiro a ser exceção no ciclo natural de nascer-morrer e sei, claro...