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"Até muito pouco tempo não tinha coragem de escrever -escritora - em ficha de hotel"...

Crônicas Sempre que preencho a ficha de um hotel e escrevo, no espaço destinado à profissão, a palavra “escritora”, sinto um estremecimento. Até muito Por Por Heloisa Seixas Sempre que preencho a ficha de um hotel e escrevo, no espaço destinado à profissão, a palavra “escritora”, sinto um estremecimento. Até muito pouco tempo, não tinha coragem de fazer isso.  Botava “jornalista”. Até que um dia, tomando coragem, escrevi.  A palavra ficou ecoando dentro de mim: ES-CRI-TO-RA. É algo que até hoje me surpreende.  E por quê? Primeiro, porque comecei a escrever tardiamente (com quase 40 anos) e no início achei que estava tendo uma espécie de surto, coisa passageira. Demorei algum tempo até me acostumar à ideia. Lembro de um dia em que caminhava ao lado de minha filha, Julia, pelo calçadão da Praia de Ipanema, e encontrei o escritor Carlos Heitor Cony, que havia lido e gostado muito de meu primeiro livro: Pente de Vênus. Ele ia ao lado da mulher, Bia, e levav...