Carinho de filho... / Ivan Martins /
Amor de pai A paternidade nos aproxima de um sentimento suave e agridoce de perdão por nossos pais, que agora somos nós IVAN MARTINS 24/09/2014 10h00 Share Meu pai morreu quando eu era criança, há mais de 40 anos. Como muitos homens de seu tempo, e muitos dos tempos atuais, foi ausente e autocentrado. Ao final, destrutivo. Não fez por merecer a homenagem de uma memória duradoura. Ainda assim, a tem. Segue vivo nas minhas lembranças, nos meus traços e no meu temperamento. Também se prolonga, de forma mais amena, no sorriso dos meus filhos, homens bonitos como ele. Esse pai cada vez mais distante é uma presença tão intensa - e tão costumeira - que me pergunto se um dia desaparecerá. Ou se, do contrário, se tornará cada vez mais pungente, como o fantasma do pai de Hamlet, à medida que eu me torne mais velho. A pergunta é retórica. Sei a resposta. Durante um tempo, achei que a relação complicada com a figura paterna fosse u...