Morte absoluta // Manuel Bandeira
http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=1882&titulo=A_morte_absoluta&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter Morrer. Morrer de corpo e alma. Completamente. Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão — felizes! — num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte. Morrer sem deixar porventura uma alma errante. A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu? Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança duma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..." Morrer mais completamente ainda, — Sem deixar sequer esse nome. Manuel Bandeira, no Casmurro , um blog que eu acabei de descobrir. Julio Daio Borges