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Mostrando postagens com o rótulo Hélio Schwartsman

"A vida não é um tribunal" / Hélio Schwartsman

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hélio schwartsman É bacharel em filosofia, publicou 'Pensando Bem...' (Editora Contexto) em 2016. Escreve às terças, quartas, sextas, sábados e domingos. A vida não é um tribunal Mateus Bonomi/Folhapress Policiais retiram placa com frases alusivas à corrupção colocada por manifestantes no Congresso 21/10/2017   02h00 25 Mais opções SÃO PAULO - Num tom muito cordial, pelo qual agradeço,  Reinaldo Azevedo  criticou minha coluna do dia 18, em que apontava semelhanças entre as sinas de alguns políticos. "Temer é vítima de um complô, Aécio, de armação, e Lula, de perseguição", escrevi. Azevedo, se resumo bem seu argumento, diz que eu fui irônico e que isso é inadmissível diante das ilegalidades e abusos processuais a que os três dirigentes estão sendo submetidos. Admito que eu tenha sido irônico, mas não creio que isso seja pecado. O que me surpreendeu é que Azevedo, que sabe ler e interpretar textos com maestria (ele daria um excel...

O Brasil escolheu ser infeliz e o projeto segue célere nas ruas e nas casas legislativas

http://avaranda.blogspot.com.br/2017/03/prevendo-o-desastre-helio-schwartsman.html?m=1 PERCA TEMPO - O BLOG DO MURILO sexta-feira, março 17, 2017 Prevendo o desastre -  HÉLIO SCHWARTSMAN Folha de SP - 17.03 SÃO PAULO - Dezenas de milhares foram às ruas contra a reforma da Previdência. Na ponta do lápis, eu também deveria ser contra. Já passei dos 50 e, portanto, estou "quase lá". É improvável, ainda, que o sistema quebre nos próximos 30 ou 35 anos, de modo que um eventual colapso não me afetaria diretamente. Quanto a meus filhos, que poderiam, sim, ser prejudicados pela inação, estou lhes dando uma educação que permitirá que busquem uma carreira fora do Brasil, se o país insistir em marchar voluntariamente para a inviabilidade. Mas, por motivos que transcendem a pura racionalidade, eu não quero que o Brasil fracasse,...

Dúvidas que o advogado usa e abusa... / Hélio Schwartsman

terça-feira, setembro 27, 2016 Prisões metafísicas -  HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 27/09 SÃO PAULO - As prisões cautelares determinadas por Sergio Moro são ilegais e injustas, como alegam os defensores dos encarcerados? Aristóteles abre o livro Z da "Metafísica" escrevendo: "Tò òn légetai pollachôs", que pode ser traduzido como "aquilo que é se diz de várias maneiras". A multiplicidade de significados também se aplica às prisões. Num primeiro sentido, bem ao rés do chão, as ordens são legais, já que foram assinadas por um magistrado que as fundamentou juridicamente, como exige a lei. Quando os defensores afirmam que elas são ilegais, não contestam esse aspecto formal, já que nunca aconselham seus clientes a evadir-se ou resistir à injusta agressão dos policiais, o que estaria em seu direito se as prisões fossem ilegais nesse sentido mais estrito. O ponto dos advogados, com o qual concordo, é que as justificativas para as prisões nem...

" O crescimento intelectual exige o confronto de ideias -o que inevitavelmente causa desconforto." / Hélio Schwartsman

domingo, setembro 18, 2016 Desconforto -  HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 18/09 SÃO PAULO - Nos anos 80, quando eu fazia a cadeira de grego clássico na USP, havia uma aluna evangélica. Numa prova, não lembro bem em qual semestre, nos foi dada a tarefa de traduzir para o português um texto que falava de Zeus, Hera e outros deuses pagãos. A estudante se recusou a fazer o teste, alegando que escrever aqueles nomes "nojentos" ia contra sua religião. Nossa professora, a excelente Isis Borges da Fonseca, em seu estilo sempre sem papas na língua, disparou: "então, você vai tirar zero". A ideia aqui é que alguém que se dispõe a estudar o idioma e a civilização gregos não pode se negar a ser exposto à cultura helênica, que, obviamente, inclui os deuses olímpicos. Esse episódio me veio à memória ao ler uma reportagem sobre a polêmica desencadeada pela Universidade de Chicago que enviou uma carta de boas-vindas aos calouros deste ano em que os advertiu de que...

Fugindo do destino razoável... Hélio Scwartsman

O preço do óbvio -  HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 23/07 O futuro é incerto? Eu apostaria que sim. O demônio de Laplace, isto é, a ideia de que um intelecto superpoderoso que conhecesse as leis da física e as posições atuais de todos os átomos do Universo saberia automaticamente o passado e o futuro de tudo, perdeu popularidade do século 19 para cá. Não apenas não nos é possível na prática reunir tamanho conhecimento como, diante do inegável sucesso da mecânica quântica, há motivos para acreditar num Universo menos determinista, que traz algum grau de incerteza inscrito em seu âmago. Apesar desses problemas intratáveis, há situações em que é relativamente fácil prever o futuro. A percepção de que a Rio-2016 se revelaria um péssimo investimento entra nessa categoria. Em 2009 escrevi a coluna "Pesadelo olímpico", na qual antecipava algumas das encrencas fiscais agora evidentes. Dois anos antes, por ocasião do Pan, já anunciava, no texto "Entregando o ouro", ...

O Terror é protagonista, realista e cria medo...

Controlando o terror? -  HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 22/07 Um de meus vieses humanos favoritos é a ilusão de controle —a tendência de superestimar nossa capacidade de comandar o curso dos acontecimentos. É uma característica particularmente interessante de nossa espécie porque, apesar de nos impelir a uma avaliação objetivamente errada da realidade, em muitas situações produz consequências positivas, ao fazer com que perseveremos em vez de desistir à primeira dificuldade. A fiscalização reforçada nos aeroportos, que o Brasil resolveu expandir para voos domésticos às vésperas da Rio-2016, me parece uma resposta mais em linha com nossa vontade de estar no controle do que com os ditames de eficácia. A maioria de nós não pensa duas vezes antes de apoiar esse tipo de medida, que, afinal, visa a nos manter vivos e em um único pedaço, como é conveniente. O problema é que não dá para pensar esse tipo de questão em termos absolutos. Tudo em sociedade é uma solução de compromiss...

"O próprio direito não passa de um grande teatro, ainda que funcionalmente útil..."

quarta-feira, maio 04, 2016 O grande jogo  - HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 04.05 Não pense numa revoada de pássaros. Dileto leitor, por maior que seja a sua boa vontade para com este escriba, se você leu a frase anterior, é cognitivamente impossível que não tenha pensado numa revoada de pássaros. Num nível apenas um pouquinho menos dramático, o juiz que instrui o júri a ignorar uma prova incriminadora mas inválida que tenha sido exibida por descuido quase certamente será ignorado. Os jurados podem até jurar que chegaram ao veredicto de culpado sem considerar aquela prova, mas seus neurônios não conseguem "esquecer" o que viram, e o novo conhecimento inevitavelmente influiu na decisão. Com o impeachment é a mesma coisa. Embora a peça jurídica que fundamenta o pedido de afastamento de Dilma esteja circunscrita a pedaladas e decretos, é praticamente impossível que os senadores não levem em conta o conjunto da obra na hora...

"Quando saí, o governo Dilma respirava por aparelhos; agora, estertora." / Hélio Schwartsnam

sexta-feira, março 25, 2016 País conflagrado - HÉLIO SCHWARTSMAN FOLHA DE SP - 25.03 SÃO PAULO - Fui ao Oriente Médio e, na volta, encontro o Brasil conflagrado. Quando saí, o governo Dilma respirava por aparelhos; agora, estertora. O fato que mais contribuiu para lançar combustível às chamas foi a divulgação, por Sergio Moro, da gravação de um diálogo comprometedor entre Dilma e Lula. Para os simpatizantes do Planalto, o juiz federal violou todas as regras atinentes a escutas telefônicas, ao privilégio de foro e desrespeitou a instituição da Presidência da República, a soberania nacional etc. Deveria estar atrás das grades. Para a turma pró-impeachment, Moro agiu como herói ao lançar luzes sobre as entranhas pouco iluminadas do poder. Como tudo na vida, a questão é mais nuançada. Pelas análises de juristas que li, acho que dá para sustentar que a produção das provas, que incluem o diálogo comprometedor, foi legal; há dúvidas sobre sua validade num eventual julgamento...

"Minha reação emocional diante do nacionalismo é nula"... / Hélio Schwartsman

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hélio schwartsman O que faz um povo? 07/03/2014   03h30 Mais opções SÃO PAULO -  A crise na Ucrânia tem como pano de fundo uma mistura de geopolítica com elementos econômicos, mas o que lhe dá combustível são os nacionalismos. A essa altura, é difícil evitar que ao menos a Crimeia passe para as mãos dos russos. Mas será que isso é um mal? Assim como me parece irracional fazer uma guerra para juntar povos, creio que é igualmente estúpido ir às vias de fato para evitar que parte de um país se desmembre, mas admito que sou atípico nessa matéria: minha reação emocional diante do nacionalismo é nula. Penso até que pessoas que se dizem dispostas a morrer por sua pátria têm um parafuso a menos. Entre as muitas abstrações pelas quais não faz sentido sacrificar-se está a ideia de nação, um conceito para lá de artificial do qual tiranos e mesmo dirigentes democráticos abusam bastante. O que, afinal, constitui uma nação ou um povo? E a resposta é basic...

Heurística recebe 'cartão amarelo' do Bom Senso... // Hélio Schwartsman

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hélio schwartsman Escolhas necessárias 29/01/2014   03h00  SÃO PAULO -   Pensar dá trabalho e, por isso, preferimos nos apoiar na heurística, isto é, naquele conjunto de regras, que podem ser culturalmente transmitidas ou basear-se em impulsos biológicos, que nos faz tomar decisões rapidamente. O problema com essas regras é que elas não precisam estar sempre corretas. Basta que funcionem mais do que não funcionem para que sejam preservadas pela cultura e pela evolução. Nas situações em que não dão tão certo, as chamamos de vieses. Um bom caso é o do exame do Cremesp, que reprovou quase 60% dos 2.843 recém-formados no Estado. Por razões legais, o teste não é eliminatório. O futuro médico tem de fazê-lo, mas não precisa ser aprovado. A maioria das pessoas, apoiada em vieses, se revolta com essa situação. A ideia de credenciar médicos que se mostraram despreparados para a função faz nossos alarmes internos dispararem. Esse, porém, não é o único...

Procrastinar é bom, é ruim (?!)

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hélio schwartsman   05/12/2012 - 03h30 Os últimos serão os primeiros SÃO PAULO  - "Espere: a útil arte da procrastinação", que acaba de ser lançado no Reino Unido, não é um livro ruim. Padece, porém, de um defeito que está se tornando cada vez mais comum em obras de divulgação científica: tenta explicar o mundo por meio de uma única ideia. No caso, o autor, Frank Partnoy, matemático, economista e advogado, sustenta que devemos sempre retardar o máximo possível nossas reações, pois isso nos dá tempo para reunir mais informações e, portanto, melhorar a qualidade da resposta. Esse princípio, diz Partnoy, vale para tudo, seja na escala dos milissegundos, como é o caso de tenistas profissionais, seja na dos anos, como em certos tipos de investimento. "Espere" é, se quisermos, um anti-"Blink", a obra de Malcolm Gladwell que nos insta a confiar em nossos instintos e agir antes de pensar. Minha impressão é que, para justificar um título mais vendável...

Alerta aos candidatos a alguma coisa...

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hélio schwartsman   05/10/2012 - 03h30 A força da incerteza SÃO PAULO  - Deu em  "Ciência" que a ocorrência de fraudes em pesquisas médicas cresceu dez vezes de 1975 para cá . Eu não duvido, mas receio que isso seja menos que a ponta do "iceberg" do problema. Muito mais preocupante é ler que as conclusões da maioria dos artigos científicos publicados de boa-fé nos melhores periódicos estão erradas. Quem fez essa afirmação, para lá de polêmica, foi John Ioannidis num artigo de 2005 na "PLoS Medicine" que imediatamente se tornou um clássico. É um texto bem técnico, que abusa da matemática para explicar que, devido a uma combinação de características da psique humana com a própria natureza do raciocínio estatístico (inferência bayesiana), a maioria dos estudos reflete mais os vieses dos pesquisadores do que propriedades reais do fenômeno analisado. Não importa o que o cientista queira "provar", com a força dos falsos positivos e um mín...

Analfabetismo histórico /// Hélio Schwartsman

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http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/1157832-leitores-sao-contra-a-censura-historica-em-monteiro-lobato.shtml http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1155398-analfabetismo-historico.shtml hélio schwartsman   19/09/2012 - 03h30 Analfabetismo histórico SÃO PAULO -  O movimento negro, bem como outros grupos que tentam reduzir os níveis de intolerância na sociedade, tem toda a minha simpatia. Isso dito, é ridículo o que estão tentando fazer com Monteiro Lobato. Se a iniciativa legal, que já chegou ao Supremo, prosperar, o autor poderá ter parte de sua obra banida das bibliotecas escolares. Não há a menor dúvida de que Lobato se utiliza de expressões que hoje soam rematadamente racistas, como o termo "macaca de carvão", para referir-se à Tia Nastácia. A questão é que estamos falando de escritos dos anos 30, época em que quase todo mundo era racista. E, se há um pecado mortal na crítica literária e na análise histórica, é o de interpreta...