"Ao meu pai, com carinho" / Uma crônica para arrebatar a última segunda-feira de janeiro de 2014
Maria Fortuna - coluna Gente Boa - O Globo Tamanho do texto A A A RIO - O marchand e poeta Franco Terranova ainda não sabia que estava doente quando posou nu, aos 90 anos, para as lentes do filho, o fotógrafo Marco Terranova. Muito menos, que morreria pouco depois, em dezembro passado, dois meses depois de descobrir um câncer agressivo. Mas em suas poesias, publicadas junto aos retratos, no livro “Carma carnadura”, Franco falava da decomposição do corpo de um homem em plena vida. “Nenhum ser humano sabe o tempo que vai durar, mas parece que ele planejou tudo inconscientemente, um timing perfeito”, diz Marco. Para convencer o pai a posar — ele ainda estava um pouco reticente —, um argumento foi decisivo. “Citei a cena final de '2001, uma odisseia no espaço', em que o personagem vai envelhecendo até que renasce para uma nova vida”, conta. “Papai era cinéfilo e esse era um dos seus filmes preferidos. Eu sabia que...