"Sou do século do rádio, da revista semanal, do bonde e de uma praia onde o banho de mar era obrigatório..." / Roberto daMatta
Como descobri o rádio 17 de abril de 2013 | 2h 11 Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo Pertenço ao século do rádio, da revista semanal, do bonde e de uma praia onde o banho de mar era obrigatório. Íamos só de "calção de banho" e não comíamos nada. As "meninas" levavam as "barracas" que os mais bem apanhados "armavam" vendo de perto o espetáculo gracioso e "casual" de observar como elas despiam as suas "saídas de praia", revelando corpos impecáveis. A praia parava para ver a chegada de certas moças, como a irmã do Nilton. Ou a mãe do Manuão, especialista - diziam - em freudianamente desvirginar os amigos do filho. A ponte entre a fantasia do sexo real e a irrealidade do romance ideal, que invariavelmente terminava na confissão arrependida, era preenchida pelo rádio no canto de um Tony Bennett quando ele entoava Stranger in Paradise (Estranho no Paraíso). O paraíso representado pelo corpo desejado, mas a...