"A MPB foi uma doce jabuticaba" / Hugo Suckman / O Estado da Arte
O Estado da arte Convidado da semana Hugo Sukman, jornalista e crítico Doce anomalia O crítico e jornalista Hugo Sukman expõe tese de que a MPB está restrita ao gueto A MPB foi uma doce jabuticaba. Ou, em termos menos poéticos, uma maravilhosa anomalia. Enquanto a chamada música popular definhava no mundo inteiro a partir da varredura estética promovida pelo rock americano nos anos 1950 e pelo rock inglês nos anos 60, a música brasileira insistia solitariamente em manter e desenvolver sua vertente popular. Assim mesmo: po-pu-lar, três sílabas complexas, e não a sua corruptela monossilábica — pop —mais direta, pragmática, globalizada. Depois de Elvis e Beatles, a arte de Charles Trenet na França, de Ernesto Lecuona em Cuba, de Cole Porter nos EUA, ou de um Ary Barroso no Brasil — ou seja, a música popular — parecia condenada à extinção, substituída primeiro por clones locais de Elvis e Beatles (alô Jovem Guarda) e depois por variantes da música jovem mundial: BRock...